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MATERIA DA CAPA - Arma para captar mais e reduzir clientes custos

Estratégia competitiva eficaz, a logística permite uma visão integrada e sistêmica da empresa. por meio dela é possível planejar e coordenar ações que avaliam todo o processo, que começa na matéria-prima e termina quando há a plena certeza de que as expectativas do cliente foram bem atendidas, o que significa cumprimento do prazo de entrega e produto em perfeitas condições. essencial para a indústria e o varejo, a logística integrada eficiente traz para as empresas diferenciais em relação à concorrência.

Leda cavalcanti


Com origem na Grécia, a logística foi por longos anos ferramenta utilizada exclusivamente pela área militar nos confrontos, quando os exércitos precisavam transportar os soldados e traçar estratégias para a manutenção de suprimentos. Na indústria, sua importância foi reconhecida com os estudos do engenheiro e matemático americano William Edward Deming, que introduziu novos processos produtivos nas empresas de seu país, durante a Segunda Guerra Mundial, e nas japonesas, no pós-guerra. Comprovou que a busca constante por melhorias na produção e nos serviços aumentava a produtividade e a qualidade, bem como reduzia custos.

Na década de 1970, a logística começou a ser aplicada pelas empresas no setor de distribuição, devido à necessidade de melhorar o relacionamento com o cliente e evitar perdas provocadas por problemas de armazenagem e transporte. Porém, como instrumento de planejamento estratégico adquiriu maior importância somente no início dos anos 1980, com o acirramento da competição entre as empresas e o reconhecimento de que era preciso analisar o negócio sob uma visão mais ampla. Esse conjunto de fatores levou à profissionalização da área de logística, à implementação de centros de distribuição e ao trabalho integrado de toda a cadeia produtiva, da matéria- prima à entrega do produto ao cliente na data acordada.

A cultura da importância da logística tem crescido fortemente no Brasil, devido à exigência cada vez maior dos clientes quanto a prazo e qualidade de atendimento. “Cabe à logística minimizar o capital de giro aplicado em estoques, uma vez que a área tem como característica a visão integrada de todos os processos da empresa, o que chamamos de cadeia de suprimento”, diz Ricardo Cunha, diretor de logística e pós-venda Mercosul do Grupo Mabe. “São inúmeros os casos de vantagem competitiva obtida através da logística, porém ainda temos muito a avançar nas empresas, entendendo a necessidade de substituir a cultura de “custos logísticos” por “investimentos logísticos” e, no país, com a melhoria da infraestrutura e redução de encargos”, acrescenta Leandro S. Barbosa, subgerente de logística da Pioneer do Brasil.

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Gladimir Somacal, diretor de compras e logística da rede de Lojas Colombo, explica que atualmente a logística está crescendo nas gestões dos negócios e assumindo seu papel de caráter estratégico para as organizações, em função das mudanças ocorridas nos últimos anos, principalmente no Brasil pós- período inflacionário. “Estamos diante de nova postura no processo decisório de aquisição de produtos e serviços. O consumidor está menos suscetível aos apelos da marca e dá mais importância aos atributos oferecidos com o produto, como disponibilidade, suporte técnico, pós-venda e prazos de entrega. De secundária, a área de logística passou a ser uma das mais importantes para a sobrevivência da organização.”

Cada vez mais há o entendimento da importância da logística, o que é natural num país com a extensão territorial do Brasil e com muitas oportunidades sendo geradas, lembra Anselmo Magalhães, gerente de logística da Máquina de Vendas, empresa criada com a fusão Ricardo Eletro e Insinuante. “Deve ser vista e tratada como agregadora de valor ao produto, contudo, devemos ser vigilantes em relação aos seus custos. Investimentos feitos de forma adequada e planejada podem aumentar a eficiência da operação logística, tornando-a, a médio prazo, mais econômica e, portanto, mais competitiva. Custos muito altos têm reflexo no preço de venda ao cliente e este quer sempre o menor preço”, explica.

Ramez Chamma, diretor de supply chain da Electrolux, diz que as empresas estão consolidando suas estruturas com áreas direcionadas para a cadeia de suprimentos e seus processos. Valorizam, assim, os profissionais dessa área no mercado. “A Electrolux, por exemplo, demonstra isso por meio de sua competitividade e até mesmo com diferentes modelos de transporte e otimização de carga. Temos como uma de nossas características o atendimento diferenciado aos clientes de todo o Brasil, resultado da forte integração entre as áreas de logística e vendas.”

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Diomar Oliveira, gerente de marketing do CompraFacil.Com, lembra que no Brasil, em tempos passados, as ineficiências eram recuperadas no mercado financeiro, uma situação muito diferente da atual. “Hoje, o diferencial de uma empresa é a eficiência de sua operação e a maneira como gere seus ativos: estoques, equipamentos, pessoal. No e-commerce, a logística é a base do sucesso, pois o nível do cliente é muito alto, ele demanda preço, o que se tem com boa negociação de compra e giro rápido dos ativos, e agilidade na entrega, dois componentes que são obtidos com a logística”, diz.

É certo que a cultura da logística está fincada no país, mas ainda há espaço para melhorar, acredita Pedro Guasti, diretor geral da e-bit, empresa de informações e serviços de e-commerce. “Conforme a 21ª edição do relatório WebShoppers, em dezembro do ano passado, 76% das entregas foram realizadas com sucesso, em todo o Brasil. “Comparando-se o índice de entrega por região, a melhor pontualidade foi alcançada na região Sudeste, com 80% de toda a demanda entregue na data combinada, quase que um empate técnico com os percentuais atingidos tanto nacionalmente como na região Sul, que ficaram em 79%. Tais números mostram como é importante o papel que empresas especializadas em logística e distribuição de produtos têm no bom funcionamento do comércio eletrônico”, afirma.
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FIDELIZAÇÃO DO CLIENTE
A logística não é atividade estática, pois cuida dos negócios que são focados no cliente e no cliente do cliente. Ao aplicar novas tecnologias e conceitos, otimiza os processos e se torna fundamental para o sucesso. “É um elo de extrema importância para o resultado final da operação e para cativar definitivamente o cliente. Não adianta fazer grandes campanhas publicitárias e dar ótimo atendimento nas lojas se a entrega não for cumprida como o combinado. O momento da chegada do produto é muito marcante para o consumidor e não pode haver falhas nessa hora Os investimentos em ferramentas como WMs, roteadores, rastreadores e chipes localizadores, antes considerados como luxo por algumas empresas, hoje são indispensáveis para uma operação logística eficaz”, diz Somacal.

Como a Colombo atua em todo o território nacional, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, adota uma logística integrada com os demais setores da empresa, principalmente com os de compras e vendas. “Somente dessa forma podemos garantir ao cliente que iremos atender a todas as suas necessidades e expectativas. Essa integração de informações evita, também, a necessidade de investimento em altos níveis de estoques, para garantir a disponibilidade dos produtos para venda”, explica o diretor.

Em um negócio cada vez mais competitivo como o varejo, o diferencial, além do preço, deve ser o atendimento e o nível de qualidade dos serviços prestados, diz Magalhães, da Máquina de Vendas. “Numa empresa como a nossa, a logística compreende o recebimento dos produtos comprados da indústria, sua armazenagem até que sejam vendidos, a expedição, a distribuição, o abastecimento das lojas e a entrega aos clientes das vendas feitas, além do recolhimento em logística reversa de produtos para assistência técnica de pós-venda.”

Não há dúvida de que o setor de logística tem-se tornado primordial no sucesso de qualquer empresa, afirma o diretor da Electrolux. “Uma das razões principais de sua evolução é a própria dinâmica e agilidade que o varejo impõe, que nos estimula a trabalhar com novos processos, para integrar cada vez mais clientes e fornecedores, bem como com outras áreas da empresa, como vendas, operações, finanças, recursos humanos e engenharia.”

A atual área de supply chain da Electrolux envolve as atividades de transporte, depósitos e expedição de produtos acabados, atendimento de pedidos de clientes, planejamento e controle da produção e materiais. Esse setor também abrange o recebimento e armazenagem de matérias-primas, logística internacional para importação e exportação e projetos que englobam tecnologia de informação, novos produtos e processos logísticos. O conceito de supply chain management da empresa consolidou-se em 2005, como substituição à antiga atuação da logística em processos de transporte e armazenagem. Desde então, a área tem contemplado a responsabilidade de planejar, programar e controlar o fluxo de materiais e produtos, bem como das informações relacionadas desde o ponto de origem até o de consumo, com o propósito de atender aos requisitos dos clientes.

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Michael Klein, diretor executivo da rede Casas Bahia, afirma que a logística é uma etapa importante na fidelização do cliente. “Não adianta ter ótimo atendimento, bons preços e prazos de pagamento se a entrega falha em algum ponto. O processo todo de atendimento estende-se até a chegada do produto, em perfeito estado, na casa do cliente.” O reconhecimento da força da logística para impulsionar os negócios é unânime. “Ela é fundamental para qualquer empresa nos dias de hoje e crescerá muito e de maneira rápida”, diz Agnaldo de Araújo Campos, gerente de logística da Novo Mundo, rede de eletrodomésticos e móveis do centro-norte do país. “O varejo é muito dinâmico e o consumidor cada vez mais exigente, então é necessário estar preparado para atendê-lo de acordo com sua necessidade.”

“Ao incorporar e utilizar conceitos de marketing, qualidade, finanças e planejamento, a logística tornou-se uma área multifuncional e, assim, aumentou a sua contribuição para a eficiência e a eficácia da gestão. A logística passou a preocupar-se com um número cada vez maior de atividades e deixou de ser vista como operacional, para tornar-se estratégica”, diz Edson Fernandes Rodrigues, assessor de operações da Eletrozema, uma das maiores varejistas de eletroeletrônicos e móveis de Minas Gerais, com filiais em São Paulo, na Bahia e em Goiás.

BUSCA DA COMPETITIVIDADE
A logística é ferramenta de competitividade para a Electrolux, diz Chamma. “Um dos fatores que nos diferencia é o processo de planejamento, que integra as diversas áreas da empresa para melhor atender as demandas do mercado sem aumentar custos de estoque. Além disso, essa integração de processos logísticos minimiza tempo e custos, provendo mais agilidade e flexibilidade ao negócio.”

No ano passado, a empresa inaugurou seu centro logístico em São Carlos (SP), dotado de alta tecnologia e posicionado em ponto estratégico, facilitando o transporte dos produtos para as diversas regiões do Brasil. A companhia, até mesmo, estuda a possibilidade de implementar novos centros logísticos no país. “Os investimentos em automação e ampliação nas áreas operacionais de logística são decorrentes do crescimento da Electrolux e fundamentais para sustentar a otimização de custos. A empresa tem investido em tecnologia de informação logística e em ferramentas que proporcionam mais velocidade e precisão de respostas ao cliente, assim como no suporte de processos complexos e de alto volume de dados”, conta o diretor.

“Essencial na indústria e no varejo, a logística colabora para uma empresa ser mais competitiva”, ressalta Cunha, da Mabe. “A área de logística, uma das mais relevantes para o grupo, assim como a industrial e a comercial, tem responsabilidade na competitividade da empresa, pois está focada nas suas necessidades para que o cliente seja atendido dentro de suas expectativas ao menor custo possível. Isso é possível por meio de uma cadeia balanceada, com os menores níveis de inventários, maior flexibilidade e baixo custo de distribuição”. Rodrigues, da Eletrozema, concorda: “É capaz de manter a atenção às necessidades internas da empresa e, ao mesmo tempo, voltar os olhos aos desejos dos clientes. Permite desenvolver estratégias para reduzir custos e aumentar o nível de serviço ofertado ao cliente. Essas duas condições, isoladamente ou em conjunto, possibilitam o estabelecimento de diferenciais competitivos”. Na visão de Campos, da Novo Mundo, é ferramenta de diferenciação e agrega valor. “As vantagens são mais organização, controle, agilidade, clientes e mais lucros.”

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O fato é que qualidade e custo do produto têm deixado de ser diferencial competitivo no mercado, pois são aspectos em que as empresas tendem a se igualar cada vez mais. “Nesse contexto, os parâmetros relacionados com o serviço começam a ganhar espaço na hora de fechar uma venda. A estruturação do sistema logístico exige recursos e estes são considerados custos apenas pelas empresas que não percebem que os investimentos em logística contribuem para o sucesso da operação por agregar valor ao produto ou serviço e ter o reconhecimento do cliente”, diz Somacal, da Colombo. “Caminhamos para essa visão de logística como diferencial competitivo. A visão nesse aspecto já foi mais agressiva, entretanto, depois da crise financeira mundial de 2008/2009, tivemos de repensar nossas despesas. Defendo que o grande benefício de investir em tecnologia é o suporte às vendas com melhor atendimento ao cliente”, acrescenta Barbosa, da Pioneer do Brasil.

FORMAS DE TRABALHO
A fusão das redes Ricardo Eletro e Insinuante facilitou o processo logístico da Máquina de Vendas e elevou os ganhos de escala. O sistema tem-se tornado descentralizado, com oito centros de distribuição, localizados em Manaus (AM), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Goiânia (GO), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Vitória (ES) explica Magalhães. “Estamos unificando os centros de distribuição do Rio e de Salvador, melhorando a operação do centro de distribuição de Vitória, ampliando os de Belo Horizonte e Goiânia, descentralizando a operação na Bahia e abrindo novos no Nordeste. Vamos ficar mais competitivos em relação aos concorrentes locais, pois estaremos mais perto dos clientes e entregaremos as compras em menor prazo.” Para o transporte, utiliza empresas terceirizadas, mas gerenciadas por ela.

Os eletrodomésticos produzidos nas cinco plantas brasileiras do Grupo Mabe, assim como os que importa, são enviados para seus três centros de distribuição, em São Paulo, de onde saem diretamente para os clientes varejistas do Brasil e para serem exportados a diversos países. “Todo o volume de produção passa pelos centros de distribuição, operados pela própria Mabe. Os produtos são distribuídos por transportadoras terceirizadas, especializadas de acordo com a região do país e modalidade de frete – carga completa ou fracionada, de pequenos ou grandes volumes, para varejistas ou consumidor final”, conta o diretor de logística e pós venda Mercosul do grupo. A sistemática não é diferente para produtos de tamanho diverso, mas pode vir a ser em função do canal de vendas, como varejo, consumidor final e vendas B2C.

Na Electrolux, após as fábricas transformarem materiais dos mais diversos tipos e provenientes de diversos fornecedores em produtos acabados, ainda resta longo caminho até as casas dos consumidores finais. Do fim das linhas de produção, os produtos são transferidos aos seus depósitos ou centros de distribuição, ainda em propriedade da fabricante. “Temos vasta rede de distribuição no país, composta pelos nossos canais de distribuição (grandes a pequenos varejistas, redes de hipermercados e lojas de departamentos). Cada um compra de acordo com o volume demandado por cada região do país e, então, eles começam a ser distribuídos de forma mais “sortida” desde o destino solicitado pelos clientes, podendo ser proveniente de seus depósitos e centros de distribuição”, explica o diretor. O que difere a logística de cada empresa em função do tamanho dos produtos são mecanismos das operações de movimentação e armazenagem. “Isso varia desde embalagens, transportadores e empilhadeiras, até os modais de transporte e suas adequações ao peso e tamanho dos produtos. As diferenças são de ordem física”, diz Chamma.

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O sistema de logística da rede Novo Mundo está centralizado em seu centro de distribuição de Goiânia (GO), que é integrado com outros centros de distribuição localizados em Palmas, Cuiabá e no Distrito Federal. Assim, os produtos saem do fabricante para o centro de distribuição central, deste para os centros de distribuição, visando as lojas ou os centros de distribuição aos consumidores. ”A nossa entrega é terceirizada no caminho do fornecedor aos centros de distribuição e também dos centros de distribuição aos consumidores”, conta o gerente de logística. A Pioneer atua com operadores logísticos e distribuição aérea devido ao valor agregado de seus produtos, além da expertise e dos serviços oferecidos por esses operadores, explica o subgerente de logística. “Como temos fábrica na Zona Franca de Manaus, optamos por dois operadores logísticos no Sudeste, para aproximar o estoque das principais regiões consumidoras. Nossa distribuição é operada por terceiros e, para atender no mais curto prazo, avaliamos o menor percurso para efetivar as entregas nossos clientes.” A sistemática logística muda não só pelo tamanho dos produtos, mas também pelo tipo de operação. Há uma para produtos acabados, normalmente em caixas e padrões maiores, e outra bastante diferente para peças de reposição com tipo de cliente específico, e embalagens menores e um pouco menos padronizadas.

A Eletrozema tem centro único de distribuição e apoio, localizado na matriz, em Araxá (MG), com área total de 25.100 m², sendo 20.625 m² de armazém. As 253 lojas da rede, distribuídas em 38 rotas de entregas, são abastecidas duas vezes por semana. “Trabalhamos com dois fluxos: o primeiro é o dos materiais, que se inicia no fornecedor que entrega os produtos no nosso centro de distribuição, onde armazenamos e, de acordo com a demanda de cada filial, fazemos a distribuição. Para o abastecimento das filiais, 50% das rotas estão com parceiros e, nas demais, utilizamos frota própria. Da filial ao cliente a entrega é feita por terceiros. O segundo fluxo é o das informações, com sentido inverso ao do anterior. Com a sincronização e a racionalização de ambos procura- se, simultaneamente, a redução de estoques e o aumento da disponibilidade dos produtos. Essa sinergia favorece, também, o fluxo financeiro da empresa”, conta o assessor de operações da empresa.

A rede Casas Bahia não terceiriza nada em todo o processo de entrega e tem controle total sobre ele. Conta com frota de 3.062 veículos pesados, mais de 9 mil funcionários que atuam diretamente nos centros de distribuição, 8,3 milhões de m² de área de armazenagem total e oito centros de distribuição localizados em Jundiaí (SP), este o segundo maior do mundo, com 300 mil m² de área construída, Duque de Caxias (RJ), Ribeirão Preto (SP), Betim (NG), São Bernardo do Campo (SP), São José dos Pinhais (PR), Campo Grande (MS) e Salvador (BA), que será substituído por um novo que está sendo construído em Camaçari, também na Bahia. Como suporte, há outros seis entrepostos nas cidades de Goiânia, Brasília, Maringá, Itajaí, Serra e Cuiabá, que recebem as mercadorias dos centros de distribuição e as redistribuem em veículos médios para entrega aos clientes.

O sistema de armazenagem utilizado foi desenvolvido para atender as necessidades da empresa de guardar produtos das mais variadas formas, pesos e tamanhos, como itens de linha branca, móveis e eletroportáteis. A rede também tem uma logística de abastecimento de lojas (produtos de retirada imediata pelo cliente, como eletrodomésticos) e entrega direta na casa do consumidor (produtos maiores, como os de linha branca), tanto de compras feitas em lojas físicas, quanto em sua loja virtual. As entregas são realizadas em um raio de 1.500 km desde o depósito central, em Jundiaí. Nas filiais, o reabastecimento é feito automaticamente, por meio do sistema que atua de acordo com a localização do ponto de venda e seu giro – o próprio sistema propõe o abastecimento e analistas da rede avaliam os pedidos. .

A Colombo, na área de recebimento, tem uma central de agendamento onde são programados todos os recebimentos, conta o diretor de compras e logística da rede. “Levamos em conta nossa necessidade do produto, capacidade de recebimento e disponibilidade de atendimento do fornecedor. Dessa forma, garantimos que todo veículo agendado para determinado dia seja recebido, não gerando custos desnecessários a fornecedores e transportadores em decorrência de veículos parados, sem revisão de liberação. Assim, também mantemos um quadro funcional equilibrado, evitando horas ociosas em alguns dias ou horas extras em outros.”

Para abastecer as filiais, utiliza a frota de 189 veículos próprios, 135 terceirizados exclusivos e oito transportadoras. Para entregas até 100 km dos centros de distribuição em 24 horas, tem frota própria e, nas mais distantes, encaminha os produtos às filiais, que utilizam seus freteiros. Cada uma é abastecida no mínimo duas vezes por semana, o que permite entregas em prazo máximo de 72 horas no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. Com área de estocagem de 532 mil m², tem 656 colaboradores distribuídos em três centros de distribuição integrados e com sistemas automáticos de balanceamento de estoque, minimizando rupturas e compras desnecessárias. O de Porto Alegre (RS) abastece as filiais do estado; o de Curitiba, atende Santa Catarina e Paraná; e o de Sumaré (SP), as lojas físicas de São Paulo e Minas Gerais e todos os demais estados para vendas via web. Como trabalha com 4 mil itens diferentes em tamanho e valor, a logística é adequada a cada segmento.

LOJAS VIRTUAIS
É fundamental lojistas virtuais contarem com boa logística em suas operações, afirma Pedro Guasti, diretor geral da e-bit. “Cumprir o prazo de entrega e ser bem avaliado nesse quesito é uma maneira eficiente para atrair e fidelizar os clientes de suas lojas. Se a pessoa efetua uma compra com prazo de entrega de até um dia útil, ela certamente exigirá que esse prazo seja cumprido, e que a integridade dos produtos não esteja comprometida, fatores diretamente ligados a boa logística de transporte”. Da mesma forma que na venda tradicional, a logística é usada como ferramenta de competitividade no e-commerce. “O investimento nas operações logísticas tem como visão garantir uma experiência de compra mais assertiva par o e-consumidor, oferecendo desde isenção de frete até manuseio e envio de produtos. Dessa forma, as lojas brigam pela preferência de seus clientes”, diz Guasti.

Há várias estratégias logísticas para as lojas virtuais. Podem internalizar a operação de fulfillment como responsável pela gestão do estoque, coleta e entrega, passando pela terceirização parcial ou total dos processos. Grandes empresas de e-commerce mantêm centros de distribuição na Grande São Paulo, em regiões como Barueri e Santana de Parnaíba. Outras, optam por manter seus centros de distribuição fora do centro consumidor, como Palmas (TO), para conseguir isenção tributária.

Uma das estratégias mais adotadas, com o intuito de aperfeiçoar as operações, é a terceirização parcial ou total da parte física do processo, o chamado fulfillment (armazenagem, pick and packing e entrega do produto). Quando o pedido aparece para a loja, esse processo é imediatamente iniciado. “A terceirização completa do comércio eletrônico permite às empresas reduzir custos relacionados à infraestrutura de sistemas, segurança da informação, logística, transporte e gestão do negócio. Isso se dá pela diluição do valor pago por essa infraestrutura com outros clientes. “Esse modelo pode ser interessante numa fase inicial dos negócios e, posteriormente, pode ser internalizado”, diz Guasti.

A logística agrega valor, é instrumento de competitividade, afirma Oliveira, do CompraFacil.Com. “Ela é o diferencial em toda a nossa operação, desde a negociação com os fornecedores, a satisfação dos clientes quando recebem seus produtos no prazo, preço e estado acordados, na inteligência de nossa armazenagem e na rapidez da operação no atendimento dos pedidos.”

O sistema de logística da CompraFacil.Com é centralizado. A empresa dispõe de um centro de distribuição e utiliza transporte terceirizado. Separa os produtos por categorias (P, M, G e GG) e atua com empresas parceiras que fazem a distribuição por todo o Brasil. “Existe um sistema que acompanha todas as entregas e afere a qualidade e pontualidade das remessas”, conta o executivo.

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Nas redes físicas, as vendas de e-commerce crescem muito acima da forma convencional de compras. “Esse comportamento do consumidor obrigou-nos a criar uma logística específica para essa área, desde o recebimento dos pedidos, a separação e expedição”, conta Somacal. Nas regiões onde tem atuação física, a Colombo utiliza a mesma rede de distribuição das lojas, frota própria e terceirizados. Nas demais, mantém parcerias com transportadoras rodoviárias, correios e empresas aéreas, para garantir o cumprimento do prazo. “Nosso sistema avalia automaticamente de qual centro de distribuição deve sair o embarque e o meio de transporte mais eficiente a ser utilizado”, diz o diretor.

Nas vendas direto pelo seu site, com as bandeiras Ricardo Eletro e Insinuante, a Máquina de Vendas vale-se de uma logística de armazenagem centralizada em Belo Horizonte. É de lá que os produtos saem para todo o Brasil, através da logística de distribuição terceirizada, específica para pontocom e gerenciada pela própria estrutura desta. A Casas Bahia adota a mesma logística nas vendas pelo site e nas lojas físicas. Seu sistema atende tanto o abastecimento das lojas/entrepostos da rede, quanto as entregas das vendas efetuadas em lojas físicas ou na virtual. O internauta também tem a opção de comprar pelo site e retirar o produto em qualquer loja física da rede.

A Novo Mundo, no caso de vendas diretas de seu site para o consumidor, utiliza logística própria, onde tem filiais. ”Vendemos e entregamos em todo o Brasil, então onde não temos filiais trabalhamos com operadores logísticos de qualidade reconhecida no mercado”, diz Campos. A Mabe, por sua vez, tem venda direta mais relevante para funcionários e alguns parceiros de negócio, oportunidade em que utiliza a entrega direta ao consumidor.

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