Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) planeja a fusão de empresas para fortalecer o setor.
O desafio de juntar empresas familiares, com histórico diferente e culturas organizacionais distintas para formar no país uma grande indústria de brinquedos, como almeja a Abrinq, entidade do setor, é visto como utopia por alguns analistas do mercado. Mas a instituição, autora do projeto que visa recuperar o controle do mercado nacional, hoje na mão de importadores, garante que ele está firme e forte. “É um grande projeto, que deve ser muito bem estruturado e avaliado. Precisávamos de um player como esse”, diz Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq.
Embora não revele quais fabricantes poderão compor essa megaempresa que terá dois parceiros do exterior (a possibilidade é de um americano e outro chinês), o executivo acredita que neste segundo semestre tudo estará definido. “É um exemplo da força que o setor de brinquedos tem demonstrado.” Em sua opinião, o processo de fusão é irreversível para a saúde econômica das empresas. “Trata-se de uma questão de sobrevivência. Quem não junta esforços terá caminho mais difícil”, afirma.
A Abrinq pretende fazer do Brasil o principal fornecedor de brinquedos para a América Latina, o que motivou a entrega ao governo de um documento no qual prevê investir R$ 100 milhões nos próximos cinco anos, modernizar o parque fabril, gerar 20 mil empregos e incluir no mercado 20 milhões de crianças que não têm acesso ao produto. “Temos design, mão de obra capacitada e tecnologia avançada, mas é muito difícil competir com as exportações da China, por causa das diferenças tributárias e trabalhistas. “Um brinquedo fabricado no Brasil carrega 38% de imposto, enquanto na China não chega a 20%”, explica Costa.
Hoje, as indústrias brasileiras têm 55% do mercado nacional e os outros 45% estão nas mãos dos orientais. A competitividade é afetada pelo câmbio, pela política trabalhista do país e a sazonalidade do setor. Mesmo assim, avanços são observados. A Estrela, a maior do Brasil e a única de capital aberto, inaugura em agosto uma fábrica no distrito de Ribeirópolis, na região da Serra do Machado, em Sergipe, onde produzirá uma linha de produtos para o mercado nordestino. Com a nova unidade serão gerados 200 empregos.