Análise GfK: 2021 ainda é uma incógnita

O desafio da indústria é estimular o consumo em um país com muitas diferenças sociais e renda baixa, enquanto o do varejo é oferecer crédito e pagamento no longo prazo, mostra estudo da empresa de pesquisas GfK.

Por Leda Cavalcanti

Fernando Baialuna, diretor

O ano de 2021 começou com dois “brasis”, um formado por consumidores das classes média e alta, majoritariamente sediados nas Regiões Sul e Sudeste do País, e outro composto pelas classes C, D e E, que, em 2020, foram às compras com a renda extra do auxílio emergencial. “Há dúvidas sobre o retorno do auxílio. Então o desafio da indústria é avaliar como pode estimular o consumo nesses dois “brasis”. A compra de bens duráveis se dá pela disponibilidade de renda e confiança”, diz Fernando Baialuna, diretor da empresa de pesquisas GfK.

As classes mais abastadas, mesmo sem o poder de renda de anos passados, continuarão consumindo, mas os mais pobres se ressentirão da falta de dinheiro para fazer o mesmo. Por outro lado, a confiança é uma necessidade comum a todas as camadas sociais, e isso se traduz em vacinação, garantia de emprego e auxílio emergencial. “O medo reprime. Toda incerteza gera insegurança”, diz Fernando. Para ele, o final deste primeiro trimestre definirá o comportamento dos meses seguintes.

“É necessário equacionar margem e volume. Isso é uma realidade em 2021”

Mediante essa situação, cabe ao varejo estimular o crédito e ampliar o prazo para pagamento da compra. “Não há outra alternativa. Ambos são fatores importantes para incentivar o consumo entre os mais pobres, mesmo levando em conta que o endividamento, atualmente, é um dos maiores da história. Sem renda, o consumidor muda o desejo de comprar”, afirma o diretor da GfK.

Alta dos preços

Em 2020, pressionados pela demanda maior que a oferta, os preços do segmento de eletros subiram. De janeiro a dezembro do ano passado aumentaram em 21% na comparação com o mesmo período de 2019. “Houve aumento no custo do insumo, inflacionado pela escassez de matéria-prima e pela subida do dólar, mas isso não diminui o desafio de controlar os preços. Os repasses foram altos. É necessário equacionar margem e volume. Isso é uma realidade em 2021”, destaca Fernando.

Os aumentos ocorreram em praticamente todas as categorias. No segmento gamer, por exemplo, foi de 51% e no de tablets, 49%. No ano passado, o consumidor comprava, independentemente do preço, mas seu comportamento, em 2021, ainda não é muito claro. Dependerá da disponibilidade de renda e do aumento da confiança, diz o diretor. “Outro aspecto importante é a indústria trabalhar o mix de produtos com repasses mais criteriosos e esparsos.”

“Confiança é uma necessidade comum e se traduz em vacinação, garantia de emprego e auxílio emergencial”

Em paralelo, há o novo comportamento do consumidor, que está mais informado e preparado para lidar com os produtos. Então vale a pena analisar suas reações neste trimestre. “No Brasil, a questão é econômica. Muita gente da classe D está tentando comprar o seu primeiro computador, enquanto quem tem mais renda faz upgrade nos aparelhos por causa do trabalho em home office”, conta Fernando.

Os mais queridos

Em produtos, a tendência em 2021 se mantém a mesma do ano passado. Os itens mais queridos continuam sendo o aspirador robô, os videogames, antes um nicho e agora uma categoria promissora para os próximos anos, os smartphones, os televisores, os eletroportáteis de cozinha – só as fritadeiras elétricas cresceram 51% em vendas em 2021 ante o ano anterior – e os notebooks, cuja demanda estimada para os próximos anos é de 25 milhões de unidades.

No geral, o e-commerce ajudou a elevar os números dessas categorias, bastante procuradas no canal de vendas. No caso da linha branca, que se recuperou e teve bom desempenho no quatro trimestre de 2020, o consumidor prefere ver o produto na loja física. “É uma compra em duas etapas, ele até pode terminar no online, mas vai à loja para ver o espaço que o produto ocupará em sua casa”, conta Fernando.

“Os itens mais queridos continuam sendo o aspirador robô, os videogames, os televisores, os eletroportáteis de cozinha e os notebooks”

O fato é que o lar mudou e talvez não volte ao que era, diz o diretor. “O consumidor aprendeu a desfrutar de uma nova rotina, mora e trabalha no mesmo local. Então as mudanças foram muitas. O ato de cozinhar virou hobby, por consequência ele avalia melhor a comida, o serviço e o preço cobrado quando sai para jantar fora, por exemplo, e levou os meios de diversão para dentro de sua casa.”

Fonte: Eletrolar News Magazine #141

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