Carrefour vai acelerar sem perder rentabilidade, afirma Noël Prioux

A declaração foi dada após recuperação das margens de abril a julho, depois de desaceleração no primeiro trimestre.

O presidente do Carrefour, Noël Prioux, disse no último dia 28/07, durante teleconferência com analistas que a empresa irá acelerar crescimento com expansão de rentabilidade. A declaração foi dada após recuperação das margens de abril a julho, depois de desaceleração no primeiro trimestre.

A empresa divulgou dados do segundo trimestre. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, que exclui itens não recorrentes, subiu 27,5%, para R$ 1,4 bilhão. A margem subiu 0,9 ponto, alcançando 9% com a contribuição de todos os segmentos da empresa. A margem bruta caiu 0,2 ponto, para 21,5% por causa das provisões do braço financeiro da empresa (margens das lojas de varejo e atacado subiram).

Sobre o banco, que manteve faturamento estável em R$ 7,9 bilhões no segundo trimestre sobre 2019, a companhia disse que a operação sentiu o efeito da pandemia, pela decisão de restringir crédito e elevar provisões, mas em junho houve recuperação. No mês passado, o faturamento do banco subiu 12,8% sobre 2019. A provisão para risco de crédito atingiu R$ 1,36 bilhão, expansão de 44%.

Desafios em vendas

A capacidade do Carrefour de manter resultados de vendas e margem registrados no segundo trimestre nos próximos meses foi alvo de perguntas por parte de analistas, na teleconferência da empresa nesta manhã. Especialistas entendem que, apesar da boa fase do varejo alimentar, o setor pode ser afetado pela recessão nos próximos meses.

Segundo Sebastien Durchon, diretor financeiro, a empresa vê movimento ainda forte em julho, na linha do verificado no segundo trimestre. Isso tende a manter desempenho ainda em patamares elevados no terceiro trimestre. A empresa não faz projeções para 2021.

Outro executivo, Luis Moreno, presidente do braço de varejo, afirmou que a empresa deve atuar de maneira a manter clientes após pandemia, evitando perda dessa base obtida de novos consumidores, especialmente no on-line — negócio que cresceu cerca de 370% em vendas totais de abril a julho.

“O que estamos criando é um modelo, um ecossistema único [off-line e on-line] que leve ele [cliente] a ficar conosco”, disse Moreno. “Crescemos porque montamos um modelo que funcionou antes da pandemia, com baixa ruptura, porque viemos com estoque para atender a demanda, e uma simplificação do modelo promocional [implementada no segundo trimestre]. Para mim, a concorrência não antecipou isso no mesmo ‘timing’. Desafios que vierem podem vir mais lá na frente”, disse.

O grupo Carrefour registrou expansão de 14,7% nas vendas líquidas no segundo trimestre, para R$ 15,9 bilhões, acima do projetado pelo mercado, que já contabilizava em suas estimativas o efeito do aumento da demanda após a pandemia.

Prioux afirmou que, no braço de supermercados e hipermercados, a empresa fez três anos em um único trimestre. Ainda disse que com o Atacadão, operação de atacado, por conta da aquisição do Makro meses atrás, a empresa encurta seu plano de crescimento em um ano e meio. A operação depende de aval de órgão antitruste e ainda não foi integrada ao grupo. O Carrefour disse ainda que não retirou gastos com covid-19 do Ebitda.

Fonte: Globo/Valor

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