Rede Quero-Quero vale R$ 2,3 bi no IPO

Empresa tem 346 lojas, sendo 267 no Rio Grande do Sul, 47 em Santa Catarina e 32 no Paraná.

A Quero-Quero vai estrear na Bolsa valendo $ 2,3 bilhões, numa IPO que transforma a rede de material de construção e eletrodomésticos numa Corporation e dá início à marca da companhia rumo ao interior de São Paulo.

A IPO também marca a primeira saída integral de um acionista controlador via Bolsa desde o IPO das Lojas Renner nos anos 90, quando a JC Penney foi a vendedora.

O Advent, que investiu R$ 300 milhões na companhia em 2008, levantou R$ 1,96 bilhão na saída. O fundo já havia tentado vender o ativo para player estratégicos ao longo de boa parte da última década, mas só encontrou liquidez neste ciclo de IPOs.

A Quero-Quero levantou R$ 270 milhões na tranche primária da oferta e terá um free froat de 95%. O preço ficou em R$ 12,65, no meio da faixa indicativa que ia de R$ 11,30 a R$ 14,00, dando à empesa um múltiplo de 28x o lucro estimado para 2021 – um prêmio sobre grandes varejistas como Carrefour Brasil, Renner e Lojas Americanas. Os coordenadores foram BTG Pactual (líder) e Itaú BBA, Bank of America, Banco do Brasil, Bradesco e Easynvest (uma investida da Advent.

Um daqueles raros IPOs em que a estratégia de e-commerce não fazia muita diferença, a Quero-Quero tem 346 lojas, sendo 267 no Rio Grande do Sul, 47 em Santa Catarina e 32 no Paraná. Cerca de 42% das lojas da rede estão em cidades com menos de 25 mil habitantes, e 60% em cidades com menos de 50 mil.

Um household name entre os gaúchos, a companhia faturou (bruto) R$ 1,6 bilhão e teve um EBITDA de R$ 124 milhões no ano passado.

O CEO Peter Furukawa planeja abrir de 70 a 80 lojas por ano nos próximos tempos, levando a empresa a novas geografias e margens melhores na medida em que a escala da operação aumenta. Um analista que participou da oferta espera que a margem cresça de 5obp a 10obp por ano.

Apesar de vender muito pouco por loja – R$ 5 mil por metro quadrado, contra R$ 11-12 mil na Renner e R$ 10 mil na Lojas Americanas – a operação da Quero-Quero fica em pé em grande parte graças a um combo poderoso: a venda de material de construção, eletrodomésticos e serviços financeiros. A oferta de serviços financeiros em particular é um diferencial competitivo importante para uma companhia que opera em cidadezinhas onde o crédito não é tão abundante.

“Apesar das comparações, o modelo da Quero-Quero não tem nada a ver com o da Leroy Merlin – é outro business”, diz um gestor que comprou o papel. “É difícil imaginar alguém tentando roubar mercado de um cara que só opera em cidadezinhas e que precisa ter custo mega sob controle para que a loja se rentabilize”.

Cerca de 40% do lucro bruto da companhia vem das operações de crédito. A Quero-Quero tem 700 mil clientes ativos num cartão de crédito próprio – o VerdeCard – que pode ser usado para compras dentro e fora da rede.

Agora, o plano da companhia é aumentar sua base de lojas, começando pelo interior do Paraná e, em seguida, chegando ao interior de São Paulo.

O CEO Furukawa tem 11 anos de companhia. Antes de se tornar executivo do Advent (passou pela IMC), trabalhou nas Casas Pernambucanas, Submarino, Pepsico e McKinsey.

Fonte: Brazil Journal

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