
TI lidera interesse de investidores-anjo no Brasil, aponta Sebrae
Pesquisa da organização mostrou perfil, preferências e desafios da categoria de investidores
Uma pesquisa sobre investimento anjo no Brasil em 2025 publicada em 29 de agosto pelo Sebrae mostrou informações sobre as pessoas por trás de aportes financeiros desse tipo. Segundo os dados da entidade, são predominantemente homens (81,5%), entre 41 e 50 anos (32,4%), que investem nas áreas de TI (27,3%), Gestão e Consultoria (22,2%) e Capital e Investimentos (17,1%) com foco em retorno financeiro (40,87%).
O investidor-anjo é uma pessoa que aporta capital para tornar-se sócio minoritário de uma empresa em estágios iniciais de desenvolvimento. De acordo com o Sebrae, pesquisa foi realizada com base em dados coletados entre junho e julho de 2025 com 315 participantes. Os dados foram obtidos por meio de questionário online com perguntas abertas e fechadas. A maioria dos respondentes (65,4%) se identifica como investidor-anjo ativo. O restante está dividido entre interessados (26,6%) e não investidores (7,9%).
Os empreendedores tradicionais (34,8%) e executivos (26,4%) formam o núcleo principal desse grupo. A presença feminina (18,5%), embora pequena, vem crescendo segundo a organização. Outras motivações que direcionam a esse tipo de investimento, de acordo com o levantamento, são impacto/legado (32,42%) e mentoria/aprendizado (26,74%).
Valores e perfis
Quanto ao valor investido, 49% dos investidores aplicam menos de R$ 250 mil em startups, enquanto 14,5% aportam valores superiores a R$ 1 milhão. Mais da metade (59,3%) investem em até cinco negócios, e apenas 12,7% ultrapassam 20 startups. Os aportes são direcionados principalmente aos estágios Seed (53,3%) e Pré-Seed (40,6%).
Além disso, quase metade dos investidores (47%) ainda não sabe avaliar o retorno sobre o investimento (ROI) de suas aplicações. Entre os que já mensuraram, 40,7% relataram retornos positivos, com 6,8% alcançando mais de 5 vezes o capital investido. Investidores individuais com portfólios diversificados demonstraram resultados assim com mais frequência do que os demais grupos.
Com base nos dados da pesquisa, o Sebrae identificou três tipos distintos de investidores-anjo no Brasil
- Disciplinado: foco em retorno financeiro, aporta entre R$ 500 mil e R$ 5 milhões, investe tanto individual quanto coletivamente, com forte presença no estágio Seed.
- Mentor Construtor: busca impacto e aprendizado, aporta até R$ 250 mil, foca em apoio e mentoria a startups em estágios iniciais.
- Explorador: cauteloso, visa conhecimento e experiência, investe aportes menores e prioriza segurança e análise criteriosa das oportunidades.
Mesmo com 75% dos investidores afirmando receber oportunidades de investimento com frequência mensal ou superior, 59,5% dos entrevistados relataram dificuldades em acessar boas oportunidades. Além disso, 92% dos investidores relatam dificuldade em localizar startups qualificadas.
Dificuldade em encontrar boas oportunidades, no entanto, é apenas o terceiro fator mais citado pelos respondentes (33,17%) quanto aos desafios para a expansão do investimento-anjo no Brasil. O segundo deles é a falta de incentivos fiscais (41,46%), atrás apenas da incerteza econômica e risco elevado dessa modalidade (67,32%).
Com relação ao uso de ferramentas de inteligência artificial para análises, apenas 13,5% dos pesquisados afirmaram aplicar esses recursos em sua tomada de decisão. O Sebrae ressalta que esse número contrasta bastante com os 72% de adoção global reportados pela McKinsey em 2024.