Balanço e perspectivas do segmento de eletros

Cresce a conscientização, principalmente entre os mais jovens, de que é preciso exigir uma postura sustentável da marca

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Produtos premium com preços mais acessíveis, porém sem tantos features, são uma tendência no mercado de eletros. Por outro lado, cresce a conscientização, principalmente entre os mais jovens, de que é preciso exigir uma postura sustentável da marca. Só a retórica não vale.

Por Leda Cavalcanti

Nos primeiros meses deste ano a GfK constatou, em suas análises, uma sutil retomada do crescimento de bens de consumo não duráveis a partir do mês de março. Para isso, contribuiu o Dia das Mães, que foi melhor que o esperado, diz Fernando Baialuna, diretor de varejo e head de consultoria da GfK para a América Latina. “De janeiro a março de 2022, o mercado online cresceu 1,5% em volume, e o físico caiu 1,4% ante o mesmo período do ano passado. A reabertura das lojas físicas ajudou, mas ainda não sinalizou um crescimento positivo.”

O principal destaque, no período da data comemorativa, foi a air fryer, seguida pelos modeladores de cabelo. “A fritadeira elétrica foi a categoria que mais vendeu e ainda tem potencial de alto crescimento. No caso dos modeladores, as vendas aumentaram devido à mudança de hábitos, que se acentuou durante a pandemia, e ao custo dos serviços. Nos meses iniciais deste ano, o faturamento dos eletroportáteis foi o maior desde 2019”, conta o diretor.

A demanda continua latente, a necessidade de equipar o lar existe, mas hoje faltam condições para a efetivação das vendas, explica Fernando. “Há problemas como a inflação e a alta dos juros. Isso prejudica o consumo das classes C, D e E, que são as que mais consomem portáteis. É um público que financiava a compra a longo prazo, até em 15 vezes sem juros, e, agora, tem que pagar em seis parcelas. O que pesa no consumo é o momento de pouca confiança e de alta da taxa de juros.”

Fernando Baialuna, diretor de varejo e head de consultoria da GfK para a América Latina

“De janeiro a março de 2022, o mercado online cresceu 1,5% em volume, e o físico caiu 1,4% ante o mesmo período do ano passado.”

Produtos premium e sustentabilidade

O fenômeno da premiunização segue como tendência para este ano. O consumidor irá adquirir produtos premium por preços mais acessíveis, mas sem tantos features. “Exemplificando, em televisores, ele prioriza uma tela maior, mas não receberá a melhor resolução. A Black Friday, neste ano, com a Copa do Mundo, deve estimular as vendas de televisores. É uma oportunidade para adquirir uma segunda tela, um smartphone ou um tablet”, conta o diretor.

Mais uma tendência forte, que vem sendo imposta pelas novas gerações, é a conscientização de que é preciso exigir uma postura sustentável da marca. O Brasil é um país pobre, ainda está atrás de outros nesse tema, mas o fato é que a marca, hoje, não tem a mesma força de tempos passados. A sustentabilidade não é uma questão de custo, mas sim de venda.

“É um processo que vai ganhar cada vez mais força, da mesma forma que a economia circular, isto é, alugar um carro, por exemplo, em vez de comprá-lo. A geração Z está chegando ao mercado de trabalho agora e é crítica em relação às empresas que têm só retórica. Ela quer um genuíno propósito de sustentabilidade, o que inclui durabilidade, reciclagem e reúso dos componentes e das embalagens, possibilidade de usar peças de reposição para reduzir o descarte e aumentar a vida útil do produto. Quer, também, suporte para um descarte ecologicamente correto”, explica o diretor.

Jornada de compra

A jornada de compra é mais importante que o canal, afirma Fernando Baialuna. “O consumidor quer uma experiência diferente, mais completa. As boas oportunidades estão com quem oferece o físico e o digital. É preciso respeitar os hábitos. Os mais tradicionais vão preferir a loja física, que respondeu por 52% das vendas totais de eletroeletrônicos em 2022, mas o online, com 48% das vendas, é uma realidade. Então, por que não investir na oferta online para o consumidor?”

O online é uma estratégia, uma condição competitiva, e quem não entrar ficará em desvantagem, afirma Fernando. “Estar fora do online não dá visibilidade à marca. Os varejistas regionais podem utilizar o marketplace se não tiverem uma plataforma. As vendas online, neste ano, chegaram a 33% do total nas Regiões Norte e Centro-Oeste; no Nordeste, 47%; no Sul, 46%; na Grande São Paulo, 59%; no interior do Estado, 52%; na Grande Rio de Janeiro, 52%; em Minas Gerais e Espírito Santo, 56%. O varejo precisa entender a jornada do consumidor.”

Em 2022, o maior potencial de vendas está nos eletroportáteis, até pelo tíquete médio menor. A categoria de ar-condicionado também será favorecida. “A tendência de produtos premium dá oportunidade para o crescimento de categorias que ampliam a experiência do consumidor, como máquina de lavar louças, adegas e cervejeiras. Após as eleições, a situação deverá ser melhor, independentemente de quem ganhar. É um período em que a confiança da população aumenta”, diz o diretor.

“A tendência de produtos premium dá oportunidade para o crescimento de categorias que ampliam a experiência do consumidor, como máquina de lavar louças, adegas e cervejeiras.”

“A jornada de compra é mais importante que o canal. O consumidor quer uma experiência diferente, mais completa. As boas oportunidades estão com quem oferece o físico e o digital.”

Fonte: Revista Eletrolar News #149

www.eletrolar.com

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