Setor de distribuição de TIC em 2020 cresceu 13%, destaca Abradisti

Conforme estudo da associação, o faturamento chegou a R$ 24,7 bilhões no ano passado.

A Associaçao Brasileira da Distribuição de Tecnologia da Informação (Abradisti) apresentou a 10ª edição do Censo das Revendas, em seu 11º Encontro Anual, realizado em 1º de julho de 2021.  “O setor de distribuição reinventa o seu papel. Os negócios, hoje, são transversais”, disse Mariano Gordinho, presidente da entidade.

No evento, Mariano ressaltou a importância do estudo e do papel desempenhado pela associação. “Há uma transformação digital no Brasil e nosso objetivo é realizar trabalhos que ajudem o setor, ser uma plataforma para ele saber os caminhos, o que fazer. Nesses anos, tivemos 400% de crescimento no número de sócios.”

A tecnologia foi a grande protagonista durante a pandemia, levando alguns produtos a ganharem mercado, enquanto outros perderam, o que fez o setor se readequar. O resultado de 2020 foi positivo e aponta para bons números este ano. “Nossa expectativa é que o faturamento dos distribuidores de TIC cresça na ordem de 16% em 2021”, ressaltou o presidente-executivo da Abradisti.

Estudo

Realizado em conjunto com  IT Data, o estudo mapeou os canais de vendas do setor em todo o País. Hoje, os distribuidores de TI empregam 10.100 funcionários, incluindo os terceirizados, o que, em 2020, representou crescimento de 4% em relação ao ano anterior. A Abradisti estima que seus 42 membros empreguem, 6.100 pessoas. A participação de seus associados é de 80% no faturamento dos distribuidores de TI. O estudo setorial também analisou o segmento de comunicação, que cresceu 13% para os distribuidores de TIC em 2020. Ao considerar apenas o setor de TI, o crescimento foi maior, de 23%.

Os distribuidores de TIC no Brasil acusaram crescimento de 24,7 bilhões em 2020 ante 2019, quando o número foi de R$ 21,9 bilhões. Para os distribuidores de TI, sem considerar comunicação, o percentual de crescimento foi maior (23%) já que em 2020 o faturamento foi de R$ 17,2 bilhões e em 2019 foi de R$14 bilhões.

“Segundo o IBGE, o setor de comércio cresceu 1,2% em 2020 e os distribuidores de TIC, 13%. O resultado poderia ser melhor se não houvesse problemas de desabastecimento de produtos e componentes. Também podemos comparar em contratação de funcionários. O comércio demitiu, enquanto os distribuidores membros da Abradisti aumentaram o seu quadro em 4%”, afirmou Ivair Rodrigues, diretor de estudo de mercado da IT Data.

Análise dos distribuidores membros da Abradisti

Os distribuidores associados à Abradisti estão otimistas em relação à evolução do faturamento e preveem a soma de R$ 20 bilhões em 2021. Se a previsão se consolidar, o valor, quando comparado ao faturamento de 2018, que foi de R$ 12,2 bilhões, apresentará um crescimento significativo de 64%. O cenário dos distribuidores TIC também registrou boa performance em 2020, com faturamento de R$ 13,7 bilhões e a expectativa é de R$ 15,9 bilhões para 2021.

Quando o estudo olha para o faturamento por linha de produtos, os hardwares de TI cresceram de 53,9% em 2019 para 55,2% em 2020; e as soluções Cloud de 3,4% para 5%; enquanto software caiu de 9,4% para 7,9%; e automação comercial caiu de 6% para 4%.

Os produtos de melhor performance foram notebooks, periféricos (mouses, teclado, webcam), roteadores e produtos de rede, desktops montados pelas revendas, principalmente para o público gamer, e desktops de marcas conhecidas. No faturamento por região, o Sudeste respondeu por 56%, o Sul com 21%, o Centro-Oeste com 8%, o Nordeste com 12% e o Norte com 3%.

Projetos e Estratégias para 2021

Os distribuidores associados à Abradisti apontaram os projetos que ganharão importância em 2021: 72% apostam no aumento das importações diretas e a implementação de sistema de gestão; 65% em adequação ao LGPD; enquanto 60% visam atuar em novas regiões ou estados; e apenas 7% aumentarão suas políticas de comissionamento junto às revendas.

Para as estratégias em 2021, 67% dos distribuidores pretendem aumentar a capilaridade atuando em outras regiões; 60% querem aumentar seu portfólio de produtos e serviços; 53% visam aumentar o portfólio de produtos relacionados a hardware e software; e 47% querem atuar com parceiros que atendem clientes de maior porte.

Censo das Revendas no Brasil

O estudo foi realizado com 1.294 revendas, com foco no faturamento em 2020 em relação a 2019 e no impacto causada pela pandemia nas negociações. A análise foi feita por categoria de revendas: Representante Comercial (15,9%); Loja Virtual (7,9); Revenda de Volume (33,1%); Revenda de Valor Agregado (36,5%); e Revenda de Automação Comercial (6,6%).

A categoria dea Representante Comercial foi duramente impactada pela COVID-19, com queda de 13%, porque quase metade do faturamento era proveniente de prestação de serviços. Entre esses profissionais, 51% não possuem escritório comercial, pois trabalham home office. Antes da pandemia, 69% não faziam negócios virtuais, e agora 50% já fazem e 23% pretendem fazer em 2021.

As Lojas Virtuais cresceram quase 24% em faturamento. Por linha de produto, os hardwares de TI representaram 57%, e outros produtos que não são considerados itens de TI registraram 30% do faturamento, enquanto a linha de serviços apenas 2%. Entre essas lojas, 27% foram abertas em 2020 ou começo de 2021. Elas registraram maior demanda por produtos destinados aos segmentos home office, saúde e educação e significativas vendas de produtos para pessoas jurídicas e governo.

A Revenda de Volume conseguiu crescer 4,4%, dividindo o faturamento entre serviços e hardware de TI. A categoria foi uma das que tiveram maior número de mortalidade e migrações para outros tipos de revendas, como as virtuais. Apenas 43% delas possuem uma loja física neste momento – há dez anos, na primeira pesquisa, 70% tinham loja física –; 11% fecharam a loja física definitivamente em 2020 e estão atendendo apenas virtualmente. Com isso, a venda no e-commerce cresceu 126% em 2020 em relação ao ano anterior.

As Revendas de Valor Agregado (VARs) foram abaladas com a interrupção dos projetos das médias e grandes empresas, mas conseguiram melhorar os resultados durante o ano e cresceram 8,8%. Essas revendas buscaram mudanças para superar os desafios passando a atuar com a linha de transformação digital, segurança e infraestrutura de telecomunicações. E apesar de não terem o hábito de vender no online, 25% pretendem abrir comércio eletrônico em 2021. As VARs têm a previsão de crescimento para 2021 em torno de 18%.

A categoria de Automação Comercial sentiu um impacto muito negativo. Teve queda de 14% em faturamento devido ao isolamento social que resultou no fechamento do comércio por alguns meses. Antes da pandemia, apenas 30% dessas empresas atuavam pelo comércio eletrônico, agora 51% já atuam e outros 21% pretendem começar este ano. Com essa estratégia a categoria tem a expectativa de crescer 9% em 2021.

Faturamento por linha de produtos – Em 2020, os produtos que apresentaram melhor performance de vendas nas revendas foram notebooks; periféricos (mouse, teclado, webcam etc.); roteadores e produtos de rede; desktops montados pelas revendas; e desktops de marcas conhecidas. Entre os produtos relacionados a Cloud, 45% das revendas comercializam a solução. O cenário demonstra que, embora tenha crescido a participação, ainda há muito espaço em negócios entre as revendas.

Estratégias das revendas para 2021 – Para 2021, as categorias demonstram ações diferentes. Enquanto as Lojas Virtuais preferem investir no aumento de portfólio de produtos (29%); as VARs pretendem buscar clientes com maior porte. Vender por meio de lojas virtuais é a estratégia para três categorias: 24% para as Revendas de Volume; 23% para as Revendas de Automação Comercial e 20% para os Representantes Comerciais.

De acordo com Ivair Rodrigues, os estudos revelaram que a pandemia fez com que a área de TI fosse mais valorizada e se tornou estratégica para as empresas. O home office demostrou ser um modelo de trabalho que chegou para ficar, principalmente nas médias e grandes empresas que conseguiram reduzir custos, ampliar a produtividade e dar qualidade de vida aos colaboradores.

“Essas empresas provavelmente vão adotar um modelo híbrido de trabalho. A pandemia criou um mundo diferente onde trabalhamos home office, fazemos as coisas digitalmente, e muitos destes costumes não irão mais mudar. Assim, a tecnologia vai continuar sendo um dos principais pilares da economia mundial”, disse

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