BALANÇO DO 1º QUADRIMESTRE: o novo normal vai depender das atitudes adotadas pelos governos estaduais

É praticamente impossível projetar como será o ano de 2020 após a Covid-19, pois tudo dependerá das medidas que forem adotadas pelos governos estaduais. Por enquanto, as vendas do varejo recuaram 0,7%, o que significa um empate com o mesmo período de 2019. Na última semana de abril e nas duas primeiras de maio as vendas cresceram, indício da retomada dos negócios.

 

O ano de 2020 começou bem, com crescimento de 8% no faturamento das vendas de eletroeletrônicos, até que chegou a crise provocada pela Covid-19. No total, até 3 de maio último, as vendas do varejo como um todo  recuaram 0,7%, o que praticamente é um empate com o mesmo período de 2019, diz Fernando Baialuna, diretor da empresa de pesquisas Gfk. “A recuperação virá lenta, gradativa e não linear, podendo variar conforme as medidas que forem adotadas nos Estados.”

Na análise do primeiro quadrimestre do ano, a GfK avaliou os estágios de comportamento das categorias durante 17 semanas. A vida foi normal, denominação dada pela empresa ao período de 30 de dezembro de 2019 a 12 de março de 2020. Com a chegada da fase do pânico, que durou quatro semanas e se estendeu até 19 de abril, a queda nas vendas foi de 31,6%, seguindo-se a ela a fase de adaptação (20 de abril a 3 de maio).   “Se houver a decretação de lockdown nos estados as vendas serão novamente afetadas”, afirma Baialuna.

Na primeira semana de abril, as vendas do comércio online cresceram 155,3% em faturamento em relação ao mesmo período do ano passado. O varejo físico, por sua vez, caiu 76,5% na primeira semana da crise. Na décima-sétima semana, última do primeiro quadrimestre, a queda foi de 41,6% e na seguinte foi de 37,7%. A reabertura de algumas lojas diminuiu o impacto do varejo físico.

Comportamento do consumidor                 

Durante a vida normal, cresceram as vendas de diversos eletrodomésticos e eletroeletrônicos, entre eles máquinas de lavar roupas e aparelhos de ar condicionado. Na semana da crise houve uma mudança de hábitos e cresceram as vendas de produtos de home office, de entretenimento, de cozinha e de cuidados com o lar,  entre eles aspiradores de pó, principalmente robôs, videogames, batedeiras, liquidificadores, notebooks e tablets.

Na fase de adaptação, com a abertura parcial de algumas lojas, foi retomada a venda de smartphones, com 1% de crescimento no faturamento, de produtos da linha branca, de televisores de tela fina, com aumento de 9%, multifuncionais (38%), batedeiras (37%), videogames (83%), notebooks (79%),  liquidificadores (19%), mixers (47%), fritadeiras (41%) e aspirador de pó (108%). “Os números são do varejo total, ou seja, físico e online, pois as vendas das categorias seguem uma tendência crescente no online e começam a se recuperar no canal físico”, esclarece Fernando.

Nas lojas consideradas essenciais, como hiper e supermercados, o faturamento das vendas cresceu 76% na décima-sétima semana ante o mesmo período de 2019 porque, com o varejo fechado, o consumidor recorreu a elas para comprar eletroeletrônicos. Em pior situação ficaram as empresas que não haviam entrado no e-commerce, diz o diretor da GfK. “O varejo investiu no aumento da oferta de produtos, ampliando o mix no canal online e também oferendo novas interações nas jornadas de compra.”

Dias das mês/Balanço

As vendas da data cresceram 4% a mais este ano em relação ao  mesmo período de 2019. O preço médio dos produtos subiu por dois fenômenos: o sortimento mais sofisticado dos canais online e a redução consistente de produtos com desconto. “Na semana das mães, no ano passado, 25% das vendas efetuadas foram de produtos que tinham desconto de 10% ou mais, enquanto em 2020 esse número caiu para 12%” explica o diretor da GfK. Os produtos com ticket mais alto foram consoles de videogames (32%), preparadores de alimentos (17%), fogões (7%) e TVs (5%).

Os que relutavam em comprar no e-commerce renderam-se a ele. ”No Brasil, 2/3 da população têm  renda familiar de R$ 2.500 a R$ 3.000 e não concluiu o ensino fundamental. São pessoas que tinham dificuldade em comprar online e recorriam às lojas físicas. Os mais idosos também ficaram reféns do e-commerce, mas o varejo foi muito rápido e deu um passo importante ao colocar o vendedor das lojas físicas para se comunicar com esses consumidores. Ofereceu novas frentes de apoio e tornou o cenário menos impactante do que era esperado”, diz Fernando.

A indústria também se aproximou do consumidor com seu canal direto. A aceleração das vendas, na pandemia, mostrou que preço não é necessariamente o que importa para o consumidor. As marcas ganham força ao transmitir segurança a ele. “Vejo o começo de uma recuperação das vendas. A última semana de abril e as duas primeiras de maio deram a sinalização, pois as três juntas cresceram 6,3% em vendas sobre o mesmo período do ano passado. Existe uma recuperação consistente em andamento”, afirma Fernando.

 

Fonte: Revista Eletrolar News ed.136 – por Leda Cavalcanti

 

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