NOVO TEMPO: Uma rede de solidariedade

Empresas respondem rapidamente aos desafios da pandemia.

Momentos de crise não são fáceis, mas muitas empresas mostraram na pandemia que, apesar da suspensão das atividades não essenciais do comércio e da recomendação de isolamento social, estão atentas às necessidades da comunidade. Uma verdadeira rede de solidariedade foi montada para combater o novo coronavírus e seus efeitos.

Mesmo tendo seus negócios afetados, elas foram ágeis nas iniciativas e até alteraram processos de produção para garantir o abastecimento de produtos essenciais em tempos de contaminação. Em vez de mensagens mercadológicas, passaram à população uma imagem positiva e solidária, que fará seus consumidores se identificarem muito mais com elas nos novos tempos.

O foco em divulgar e vender produtos e as estratégias de marketing cederam lugar a ações adequadas à situação. Algumas empresas facilitaram os negócios ao consumidor, outras visaram a seus colaboradores e parceiros e muitas optaram por ajudar no combate à doença e no apoio às equipes de profissionais da saúde, como você confere a seguir.

Selou parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein para a doação de equipamentos aos hospitais de campanha do Pacaembu e Anhembi, em São Paulo. “É a conscientização sobre a necessidade da união de esforços, a fim de contribuir para o combate à COVID-19 no Brasil. Vivemos um cenário em que a população mundial está engajada em ajudar quem precisa. Para a LG, as empresas têm papel importante nesse contexto, que vai além das doações. Esse movimento de ajudar acaba virando uma corrente do bem”, afirma Roberto Barboza, vice-presidente de vendas da LG do Brasil.

A LG acompanhou as doações que, segundo a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR), ultrapassaram os R$ 3 bilhões, diz Roberto. “Isso mostra a relevância do papel das empresas em questões humanas e sociais. É importante a união entre sociedade e organizações para uma atuação responsável, com foco no bem coletivo. É uma tendência. O consumidor busca empresas com as quais se identifica, especialmente em questões emocionais, e elas sairão desse momento desafiador com o conceito de responsabilidade social modificado. O tema deve ser umas das pautas principais na estratégia central.”             

Doou à Secretaria de Saúde de Pato Banco (PR) 500 litros de álcool em gel e 3.000 máscaras e, ao mesmo tempo, implementou duas campanhas paralelas para arrecadação de agasalhos e alimentos. Esta última, que é apoiada pelo goleiro Djony Mendes, do Pato Futsal, objetiva arrecadar uma tonelada de alimentos. A cada quilo de alimento doado, a Atlas fará a doação de mais dois. Os postos de arrecadação estão instalados na matriz da empresa.

As doações serão destinadas a instituições beneficentes da Região sul do Brasil. A campanha de estenderá até o dia 05 de junho.

Produziu e doou componentes para protetores faciais projetados pelo Senai. “Somos uma indústria de eletrodomésticos que tem o propósito muito claro de estar comprometida com o agora e as futuras gerações. Utilizamos as melhores pessoas e recursos para que essa produção desse certo. Desenvolvemos a parceria com o Senai por entender que precisamos estar ainda mais unidos nesse momento. Produzimos 80 mil componentes de plásticos para os protetores faciais”, conta Marcelo Pinto, diretor-superintendente da Esmaltec.

As ações foram pensadas para todas as empresas do Grupo Edson Queiroz, diz Marcelo. “Fizemos parceria com o governo para levar gás de cozinha pela Nacional Gás a famílias vulneráveis no Ceará; distribuímos 75 mil garrafas de álcool em gel por meio da Minalba Brasil, utilizando as garrafas da água mineral natural da marca; criamos uma ação por meio do Sistema Verdes Mares, veículos de comunicação do grupo, para entregar 30 toneladas de alimentos; e R$ 136 mil foram arrecadados para a Central das Favelas, em Fortaleza.” 

Adaptou suas instalações e destinou parte da equipe para produzir e doar protetores faciais a médicos e demais profissionais da área da saúde. “O objetivo foi auxiliar na segurança dos que precisam estar na linha de frente, cuidando das pessoas. Esperamos dar alguma contribuição nesse momento”, diz Giovanni Marins Cardoso, cofundador e CEO da Mondial Eletrodomésticos.

Em sua fábrica, em Conceição do Jacuípe (BA), a empresa parou linhas de produção de eletrodomésticos para fazer os protetores, projeto desenvolvido em conjunto com o Instituto Recôncavo e a organização não governamental e-NABLE Brasil, conta Giovanni. “Inicialmente, foram produzidos 40 mil protetores faciais para profissionais de hospitais públicos e privados, unidades e postos de saúde da Bahia. Gradativamente, poderão ser destinados a outros Estados.”

Preparou a plataforma interna de vendas “Vendedor Online” para as equipes da Casas Bahia e do Pontofrio trabalharem em casa, de forma segura. “Foi um impulso à operação do e-commerce com o lançamento de uma plataforma inédita para apoiar nossos vendedores”, diz o CEO da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer. Diariamente, cada vendedor recebe da plataforma uma lista de clientes. O ambiente digital apresenta sugestões de produtos e argumentos de vendas capazes de sensibilizar os consumidores já cadastrados nas lojas.

Braço social da Via Varejo, a Fundação Casas Bahia fez doações e parcerias para a concessão de crédito a micro e nanoempreendedores, e de cestas básicas, kits de higiene e colchões, somando o total de R$ 2 milhões. A fundação também doou 200 camas e 200 colchões ao governo do Estado de São Paulo para utilização nos alojamentos e investiu em ações para comunidades, como as de Paraisópolis, Brasilândia, Grajaú, Jardim São Luiz e Pimentas. Fez doações, ainda, para São Caetano do Sul (SP) e Rio de Janeiro.

Selaram parceria para ajudar a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, doando material como cimento, argamassa, louças e tintas para a reforma de espaços de 80 leitos. “É um orgulho ver essa parceria concretizada e contribuir com outras várias ações que nossas equipes promoveram em todo o Brasil, incluindo produtos para hospitais de campanha, apoio à fabricação de EPIs e preparação de acomodações às equipes médicas. Acredito que juntos somos mais fortes”, diz Alain Ryckeboer, diretor-geral da Leroy Merlin Brasil.

As empresas somaram forças, afirma Juliano Ohta, diretor-geral da Telhanorte-Tumelero. “Entendemos que deveríamos ir além. A reforma de leitos é fundamental num momento em que as projeções das autoridades públicas de saúde indicam um volume crescente no número de casos.” Para os profissionais da saúde, a Leroy Merlin fez outra ação, conta François Gabert, CMO/diretor de marketing da empresa. “Oferecemos desconto de 15% em todas as nossas lojas físicas para os que estão cuidando das pessoas doentes.”

Fez uma campanha pelo consumo consciente ao perceber que as pessoas estavam comprando em excesso, impedindo outras de adquirir produtos. “Entendemos que era necessário nos posicionar em relação a isso e lançamos a campanha com o objetivo de ajudar e conscientizar as pessoas. Sempre buscamos elencar nossos projetos e ações com o lado social”, diz a CEO da empresa, Annette de Castro.

A ação deu origem a outra campanha, a “Comprou, doou”, que beneficiou instituições de caridade com ventiladores para arejar os ambientes na pandemia. A cada ventilador comprado pelo e-commerce da marca, outro foi doado às instituições, entre elas o Lar Torres de Mello e a Santa Casa de Misericórdia, no Ceará, e o Instituto Pró-Saber SP, em São Paulo, que trabalham com crianças e idosos, conta Annette. “As pessoas cada vez mais buscam empresas amigas, elas têm o papel de devolver de alguma forma benefícios à sociedade.”

Doou R$ 5 milhões para os governos federal e dos Estados de São Paulo e do Amazonas. O primeiro recebeu tablets, notebooks e kit de testes rápidos para distribuição pelo Ministério da Saúde. O governo do Estado de São Paulo recebeu testes rápidos da Covid-19. O Hospital das Clínicas recebeu tablets, TVs e notebooks. Em Campinas, onde tem fábrica, entregou máscaras para a Prefeitura distribuir entre as unidades de saúde. Em Manaus, onde tem outra fábrica, doou kits de testes e tablets ao governo, para distribuição nas unidades de saúde.

“A Samsung reforça o compromisso de mais de 30 anos com o Brasil, apoiando o povo brasileiro com recursos e tecnologia para superar esse período desafiador. Temos orgulho de fazer parte deste país e agora, mais do que nunca, devemos permanecer juntos para minimizar o impacto da Covid-19”, afirma Yoonie Joung, presidente da Samsung Brasil.

Reforçou a multicanalidade. Criou uma ferramenta no aplicativo da marca que possibilita a conversa direta entre o cliente e um vendedor especializado da loja, com negociação e finalização da compra de forma remota, assistida. Reforçou protocolos de higiene e mediu diariamente a temperatura dos colaboradores. Seus entregadores utilizam protetores descartáveis nos calçados, álcool em gel e máscaras de proteção.

A empresa tem em seu DNA uma estratégia de venda multicanal focada na ultraconveniência, que se faz ainda mais necessária em momentos como este, afirma Eduardo Salem, diretor de marketing e negócios digitais. “Apesar de todas as restrições, conseguimos manter nossa qualidade e agilidade de entrega sem abrir mão da segurança e da saúde dos nossos colaboradores e clientes.”

As famílias Trajano e Garcia, controladoras do Magazine Luiza, doaram R$ 10 milhões em equipamentos para o tratamento das vítimas brasileiras da Covid-19. O valor foi destinado à compra de respiradores artificiais, leitos, colchões e travesseiros para equipar hospitais públicos e filantrópicos de todo o País. Para o Hospital Emílio Ribas (SP), foram doados monitores cardíacos. Ventiladores pulmonares foram para uma unidade do SUS, no bairro de Vila Guilherme (SP), onde fica a sede do Magalu, e para a Santa Casa da cidade de Franca, no interior do Estado.

As ações incluíram a doação de R$ 1 milhão para a Amigos do Bem, ONG que trabalha para a melhoria das condições de vida de populações carentes no sertão nordestino.  Também foram doados 4 mil colchões e travesseiros para os governos estaduais do Pará e da Bahia, com o objetivo de equipar abrigos para moradores de rua e para outras populações socialmente vulneráveis com sintomas da Covid-19.

Doou mais de 600 produtos, entre refrigeradores, purificadores de água e eletroportáteis para dar suporte a nove hospitais, como os de campanha do Estádio do Pacaembu e do Centro de Exposições do Anhembi (SP), o Nilton Lins (AM), o da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos e o Hospital das Clínicas de Curitiba (PR). “A união do setor privado, social e público é capaz de transformar uma sociedade, e isso tem fortalecido a luta contra essa pandemia. Como empresa, contribuímos para o bem da sociedade”, diz Valéria Balasteguim, vice-presidente de RH da Electrolux.

A empresa também disponibilizou sua fábrica de Curitiba, no Paraná, para a produção de 4 mil máscaras protetoras por semana, que irão abastecer 35 hospitais entre as cidades de Curitiba, São Carlos – no interior do estado de São Paulo – e Manaus. A iniciativa começou em março a partir da mobilização de seus colaboradores, que passaram a produzir máscaras utilizando impressoras 3D.

Uniu-se à Cruz Vermelha Nacional para arrecadar fundos visando à compra e à distribuição de kits de higiene e material informativo nas estações de metrô e trem cariocas e paulistas e para organizações que atuam em áreas de maior vulnerabilidade. Possibilitou doações pelo app do Mercado Pago e ampliou as contribuições via WhatsApp ou Instagram. O Mercado Pago deixou de cobrar as comissões das transações processadas e repassou esses valores às contas das instituições beneficiárias. 

Nas ações internas, colocou em home office cerca de 90% de seus 10 mil colaboradores. “Acreditamos que esse deve ser o papel das grandes empresas que atuam no País, o de reforçar a comunicação sobre os cuidados necessários para evitar o contágio e o de oferecer serviços que facilitem a vida da população nesse cenário”, diz Danielle Crahim, gerente de marketing no Brasil.

Doou 20 mil máscaras cirúrgicas para a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. “Estamos nos esforçando para encontrar formas de apoiar o Brasil e os profissionais de saúde. Tivemos um desafio para a entrega dos itens de proteção, que já tínhamos encomendado desde o início da disseminação da doença, mas, felizmente, conseguimos concretizar essa doação à instituição”, diz o CEO da companhia, Sergio Borriello.

A empresa também ofereceu à Prefeitura de São Paulo seu espaço de eventos com mais de 35 mil m², no bairro do Campo Limpo, para virar hospital de campanha. E, por meio da Universidade Pernambucanas, plataforma de conhecimento online, disponibilizou aos clientes um curso gratuito de finanças pessoais para compartilhar informações e orientações práticas e didáticas.

A empresa está engajada em um projeto de fabricação de 5 mil ventiladores pulmonares. Vem localizando, também, respiradores onde eles estejam para serem importados, diz o diretor de marketing da Positivo Tecnologia Alexandre Colnaghi. “Disponibilizamos nosso melhor time do Brasil e da Ásia para este projeto. Cada vida importa.” Também implantou comitês de gestão de crise, e cerca de 90% de toda a equipe está trabalhando em casa.

No Dia das Mães, fez uma ação para reverter parte do valor das vendas dos produtos da Anker, Positivo, Positivo Casa Inteligente e Vaio, feitas até 25 de maio, em computadores da Positivo. Os produtos serão doados a mães de instituições filantrópicas em regiões de grande vulnerabilidade social.

Doou uma tonelada de polipropileno (PP) para a fabricação de máscaras face shield para ajudar no combate à pandemia do novo coronavírus. A doação ocorreu em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer), que coordena a operação, e outras empresas envolvidas, que contribuíram com insumos.

O objetivo foi atender o pico da pandemia. Mais de 500 mil máscaras foram produzidas. A distribuição das máscaras está sob a responsabilidade da Defesa Civil de cada Estado, a quem cabe fazer a triagem de acordo com as demandas e necessidades locais.

Por meio da Lenovo Foundation, doou mais de US$ 12 milhões em todo o mundo para agilizar o processamento de dados e diagnósticos, e contribuir para a manutenção dos serviços de educação. Os recursos foram destinados a hospitais que tratam de pacientes infectados e contam com pesquisadores que estudam o vírus, bem como escolas que necessitam de equipamentos, softwares e hardwares para garantir a continuidade do seu funcionamento online.

No Brasil, doou cerca de R$ 265 mil em equipamentos de tecnologia, como 70 desktops e notebooks, beneficiando instituições como o Grupo de Resgate e Atenção às Urgências e Emergências do Estado de São Paulo e o Hospital de M’Boi Mirim (SP). “O momento exige um pacto nacional de união no combate à pandemia, e a empresa não poderia deixar de cumprir seu papel social no maior desafio da nossa era”, diz o presidente da Lenovo Brasil, Ricardo Bloj.

Adotou medidas de combate e prevenção à Covid-19 no Brasil desde janeiro deste ano. Criou um comitê de prevenção e controle da epidemia, formado por médicos, enfermeiros e especialistas em segurança do trabalho, visando à saúde de seus colaboradores. Distribuiu máscaras e álcool em gel, garantindo o fornecimento contínuo após a chegada da doença ao Brasil.

Estabeleceu pontos de medição da temperatura corporal nas entradas e saídas da fábrica e nos ônibus que transporta os funcionários, e providenciou a compra de purificadores de ar da Gree China, para desinfecção, grande aliada na prevenção. “Essas ações são importantes para garantir a segurança dos colaboradores e a sobrevivência da Gree Brasil. Elas serão mantidas até a situação se normalizar”, afirma Alex Chen, diretor comercial da empresa no País.

A empresa vem dando apoio tecnológico prioritário a pedidos de hospitais e laboratórios. “Também criamos um plano emergencial de apoio aos nossos revendedores, principalmente os médios e pequenos, com o objetivo básico de oferecer novos caminhos que agregam valor e habilidades, visando à manutenção e à reconstrução dos negócios”, conta Paulo Vizaco, diretor executivo da Kingston no Brasil.

Com fábricas na Ásia, a empresa vem acompanhando a doença desde o final de 2019 e, em março deste ano, colocou seus funcionários no esquema de home office, mantendo seus estoques abastecidos, considerando que tecnologia é essencial. “Acredito que no pós-crise haverá mais compartilhamento e generosidade não só nos negócios como na vida das pessoas”, afirma o diretor. 

Fonte: Revista Eletrolar News ed. 136 – Por Leda Cavalcanti

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