GfK: Vendas do varejo crescem 13% no período de 30/12/19 a 13/07/20

O número foi até inesperado, e o desafio é se manter ou subir, de preferência, nesses meses finais do ano. O online respondeu por boa parcela das vendas e se firmou como parte da jornada de compra do novo consumidor.

A informação é positiva: de janeiro a julho deste ano, o varejo brasileiro teve aumento de vendas de 13% em relação ao mesmo período de 2019. “O número aponta que o balanço de 2020 poderá ser muito melhor do que o esperado”, diz Fernando Baialuna, diretor da empresa de pesquisas GfK. No período, seis milhões de consumidores foram inseridos nos canais online, e as lojas generalistas aumentaram as vendas de eletros, valendo-se da licença para funcionamento normal. 

Ninguém pensava que isso pudesse acontecer quando começou a pandemia e as lojas físicas ficaram fechadas, diz Fernando. “Não se imaginava que o consumidor abraçaria os canais online tão rápido, eles foram os propulsores das vendas e, para isso, em muito contribuíram os grandes magazines. Antes da crise, esses canais respondiam por 32% das vendas, número que subiu para 54% na fase de adaptação (da semana 17 à semana 29).”

É prematuro dizer que esse cenário se manterá com a reabertura das lojas físicas, mas o fato é que muitos perderam o medo de comprar no online e já o fazem com mais segurança. “Haverá uma reacomodação no varejo. Daqui para a frente, o preço terá peso maior devido à mudança do comportamento do consumidor. Mais racional e exigente em relação ao custo-benefício e à negociação, ele fará sua jornada nos dois canais”, acredita o diretor.

Notebooks na frente

Informática e notebooks foram os grandes destaques do primeiro semestre de 2020. Os notebooks cresceram 44% em vendas na comparação com o mesmo período do ano passado, destaca Fernando. “Muita gente precisou de aparelhos melhores, porque os que tinham estavam obsoletos para se manter conectada e atender à demanda do trabalho remoto, além das aulas dos filhos.”

Adquirido o básico para o trabalho e para cumprir vários papéis dentro de casa, o que justificou a venda exponencial de aspiradores robôs, o consumidor, em junho, estimulado pela proximidade do Dia dos Namorados, partiu para a compra de revanche. Decidiu se dar um presente e gastou o dinheiro em smartphones. As vendas desses aparelhos, que cresciam 5% antes da pandemia, ou seja nas 12 primeiras semanas do ano, aumentaram 29% na fase de adaptação ante o mesmo período de 2019.

“Não se imaginava que o consumidor abraçaria os canais online tão rápido…”

No balanço das 29 semanas de estudo da GfK, algumas categorias registraram alta performance no canal online. Notebooks, por exemplo, tiveram alta de 144%, em relação ao mesmo período de 2019. Nas lojas físicas, as vendas caíram 7%. Os eletroportáteis cresceram 177% no online e perderam 17% no varejo físico. A linha branca aumentou suas vendas em 142% no online, mas teve queda de 36% no físico. A categoria, inclusive, vem se beneficiando da reabertura das lojas físicas. No semestre, seu crescimento foi de 22% sobre o mesmo período de 2019.

Crise afeta os regionais

Para o varejo regional de porte médio, a crise foi mais contundente. Mesmo tentando reagir, não teve o mesmo fôlego das grandes redes, que dispõem de condições para investir e financiar o consumidor com ações mais agressivas. Muitos tornaram-se sellers de grandes varejistas. “Mais do que dinheiro, naquele momento o médio varejo não tinha estrutura no canal online para competir com os grandes, que já vinham crescendo”, diz Fernando.

A isso, soma-se o comportamento do consumidor na crise, principalmente o que não estava acostumado com o e-commerce. “Ele precisava de segurança e se sentiu mais confortável para comprar nas grandes varejistas, onde tinha maior apoio no online e a segurança da loja física”, explica o diretor. Da segunda metade do mês de março até o início de julho, os grandes varejistas nacionais cresceram 28% sobre o mesmo período de 2019. Os regionais caíram 14%, mas começam a se recuperar.

O crescimento mais expressivo das vendas foi registrado nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, devido ao auxílio emergencial, conta Fernando. “Ele foi uma injeção, um boom de consumo no último mês de junho. O consumidor utilizou o dinheiro para comprar o que precisava à vista ou em parcelas que cabiam no seu bolso.”

Por Leda Cavalcanti

Fonte: Revista Eletrolar News 137

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