Infraestrutura logística sufoca distribuição nacional de TI

Mariano Gordinho, presidente-executivo da Abradisti

Entre os tantos gargalos que o setor de distribuição de tecnologia enfrenta diariamente no Brasil, talvez um dos piores seja o de transportes. Dependente quase integralmente de transporte rodoviário, atua por meio de um funil entupido – sistema precário, com poucas e mal-conservadas rodovias. Caro e ineficiente.

A reputação de uma empresa frente a seus consumidores também está atrelada à qualidade das entregas, e a imprevisibilidade logística impacta os negócios. Boas soluções de transportes fazem toda a diferença para o negócio de distribuição, mas estradas ruins, pontes que caem e caminhoneiros travados no trânsito impedem as transportadoras de entregarem com qualidade.

Obviamente que para um distribuidor de tecnologia ter alto padrão de serviços ele depende também das transportadoras, que, por sua vez, estão diante de um cenário adverso e têm dificuldades em garantir prazos.

Tamanha é a conexão entre a qualidade dos serviços de transportes prestados e a infraestrutura oferecida, que nos Estados Unidos, por exemplo, assim como em outros países desenvolvidos, há estradas excelentes, bem cuidadas, servidas com áreas de parada a cada 5 km ou 10 km. Enfim, elementos que permitem um transporte de altíssimo padrão, com tempo de entrega previsível.

O poder público brasileiro seria o grande responsável por garantir boas estradas e pontes, segurança e iluminação nas rodovias, com boa oferta de serviços de apoio, etc. Alguns Estados, como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, entre outros, conseguem ofertar um certo padrão de qualidade, porém não se pode dizer o mesmo em muitas outras regiões do País. Há muito o que melhorar.

Dados do setor

O setor de distribuição de tecnologia no Brasil costuma operar com margens baixas. Apesar do alto volume de faturamento, as despesas da cadeia de produção e os encargos são inúmeros, o que aperta os resultados. Via de regra, o lucro gira entre 1% e 3% no setor.

Por isso, o frete, que custa em média 1% do faturamento das empresas, é tão importante. Com o setor de distribuição de TI faturando aproximadamente R$ 12 bilhões em 2018, segundo pesquisa publicada pela Abradisti, o gasto com transportes ficou na casa dos R$ 120 milhões.

Diante desse cenário, a Associação está se movimentando para criar, ainda este ano, um grupo de trabalho específico para discutir transportes e logística. O objetivo é entender as demandas do setor e de que forma são atendidas, como estão distribuídas na cadeia, os principais trajetos, os índices de qualidade e, principalmente, a lógica dos preços. É necessário abrir caminho para a qualidade e reduzir custos por meio da organização coletiva e do conhecimento estruturado.

A iniciativa deve facilitar a atuação dos associados no País diante da baixíssima previsibilidade causada por incidentes como a greve dos caminhoneiros, que parou o Brasil durante 11 dias em maio de 2018. Para o setor de distribuição de TI, as perdas estimadas passaram dos R$ 100 milhões.

Não podemos esquecer que os motoristas pararam o País, o que pode acontecer novamente. Estar preparado para esse tipo de crise é fundamental tanto para o setor como para o futuro do próprio País.

 

Fonte: Revista Eletrolar News ed. 130

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