PERFIL DO VAREJO – Vontade de crescer

Em 2018 a rede Novo Mundo faturou próximo de R$ 1,250 bilhão e projeta para 2019 crescimento na casa de 6,5%.

José Guimarães, presidente da Novo Mundo

“Quem diria que uma loja de móveis, de apenas 80 m2, inaugurada em 1956, em Goiânia (GO), por Luziano Martins Ribeiro, se transformaria em um dos maiores varejistas de móveis e utilidades domésticas do Brasil?”. É assim que o presidente da Novo Mundo, José Guimarães, abre esta entrevista, ao destacar que a empresa nasceu com vontade de crescer. Hoje, tem mais de 140 lojas e engloba uma holding que atua nos segmentos de agronegócio, construção civil, hotelaria, shopping center, imóveis e condomínios horizontais. Há pouco, investiu R$ 2 milhões na transformação digital, por acreditar que as vendas multicanais chegarão a 10% do seu faturamento, e iniciou o projeto que possibilita ao cliente pagar o preço do e-commerce no caixa da loja e sair com o produto.

Como se deu a expansão da rede?

José Guimarães – Crescemos a partir de Goiás, dominamos o Centro-Oeste nos anos de 2000 a 2009 e expandimos para os Estados de Mato Grosso e Tocantins e para o Distrito Federal. Uma segunda grande expansão ocorreu em 2010 para o Norte/Nordeste, quando chegamos ao Maranhão, Pará, Manaus e Roraima. Hoje, atuamos em nove estados e Distrito Federal e temos cinco centros de distribuição, localizados em Goiânia, Cuiabá, São Luís, Belém e Manaus. Nessas capitais, conseguimos entregar nossos produtos em até 24 horas.

Qual o diferencial das lojas?

JG – O que nos diferencia da concorrência é a especialidade na venda de móveis e utilidades domésticas. A cada dia, evoluímos em experimentação nos ambientes idênticos aos de um lar. Nossas lojas têm metragem média de 1.200 m2.

No portfólio de produtos, qual a categoria de destaque? 

JG – Nosso principal foco é na categoria de móveis, em que nos especializamos a ponto de desenvolver produtos próprios em uma indústria considerada modelo em tecnologia: a Montreal, que produz colchões e conjuntos estofados e faz parte do Grupo Martins Ribeiro, braço industrial de nossa holding.

O faturamento da rede deve crescer em 2019? 

JG – Em 2018, faturamos próximo de R$ 1,250 bilhão e projetamos para 2019 crescimento na casa de 6,5%.

Qual a motivação para investir R$ 2 milhões em omnichannel?

JG – A necessidade de continuar inovando impulsiona os investimentos em tecnologia. Hoje, nosso consumidor consegue uma integração perfeita entre o digital e o físico. Por exemplo, ele compra pelo e-commerce e retira na loja física e, se é cliente digital, consegue comprar na loja física pelo canal online e retirar o produto imediatamente.

A rede vende mais nas lojas físicas ou no e-commerce? 

JG – Atualmente, a participação da venda digital está próxima dos 25% e, quando integrada com o omnichannel, chega a 36%. 

Como a empresa se prepara para a Black Friday? 

JG – Começamos o projeto Black Friday com seis meses de antecedência, com um comitê que integra todas as áreas para buscar o maior aumento no volume de vendas com rentabilidade e eficiência operacional.

Quais as principais mudanças que afetaram o varejo nos últimos anos? 

JG – O varejo passa por profunda transformação e não é só a digitalização, o cliente está mais conectado e exigente. Vence a guerra quem se preocupa em atender a todas as expectativas dele, com o menor atrito.

O varejo foi afetado pelo novo comportamento do consumidor? 

JG – Os hábitos de consumo mudaram. A pesquisa entre canais, a mudança na comunicação com o crescimento das redes sociais e, principalmente, a necessidade da não existência de fronteiras, tudo isso mudou o jogo no varejo.

Quais serviços a Novo Mundo oferece aos clientes?

JG – Temos crediário próprio há mais de 50 anos e lançaremos nosso cartão próprio embandeirado em pleno mês de dezembro de 2019.

Como a rede analisa o atual mercado de consumo?

JG – Acreditamos na retomada econômica e estamos nos preparando para um grande crescimento nos próximos anos, organizacionalmente, tecnologicamente e ao colocarmos nossos colaboradores e clientes como os principais focos da empresa.

Quais os maiores desafios do varejo, atualmente? 

JG – Entender realmente os anseios dos consumidores e entregar uma experiência de compra que surpreenda, dentro de uma base de custos adequada a esse movimento.

Há projetos de expansão em 2020?

JG – As perspectivas são muito boas. Nossa expansão será principalmente pelo canal online, em que há grandes contratos de marketplace em andamento e que já estão trazendo um crescimento importante nas vendas. Nosso principal projeto para o próximo ano é uma loja física 100% conectada ao canal online. O Projeto Novo Mundo Casa surpreenderá todo o mercado, será o fim das fronteiras entre o digital e o analógico. Aguardem.

 

Fonte: Revista Eletrolar News ed. 133

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